segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Quando me descobri como contadora de histórias

Em sua primeira aula, Dolores nos pediu para contar um fragmento de nossa história como leitor. Eu preferi contar um momento atual: quando estou me descobrindo como contadora de histórias.

Eu já li esporadicamente para meus sobrinhos e para filhos de amigos, mas nunca para um público estranho. E jamais pude me imaginar lendo para um público tão especial como o que me ouve hoje.

Este foi um ano de descobertas. Apesar de trabalhar há 17 anos no mercado editorial, somente agora voltei a estudar e comecei a desvendar na teoria a importância do ato de ler e a formação de leitores. A escolha por este curso, é claro, vem desse novo interesse.

Nessa busca participei do Salão do Livro Infantil e Juvenil, em julho, e me encantei com a palestra da pedagoga Madalena Oliveira, coordenadora do projeto Biblioteca Viva, no Instituto Fernandes Figueira. A imagem da leitura para os bebês internados na UTI neo-natal é algo que marcou a ferro e fogo meu acervo particular. Naquele momento eu decidi mudar o rumo da minha vida profissional.

Um mês depois escrevi para Madalena e sou, desde setembro, uma feliz voluntária do projeto. E foi assim que conheci a contadora de histórias que habita em mim. Ainda uma contadora vacilante e um pouco insegura, que segue mais a intuição do que as teorias, mas que se encanta e se descobre a cada semana.

Madalena me colocou no Ambulatório de Neurologia. Contar histórias no Ambulatório de Neurologia de um hospital público me assombra e me mostra o poder dessa prática. Acho que não há teoria que explique o que significa despertar o sorriso e carinhas de espanto em crianças tão debilitadas não só fisicamente, como psicologica e afetivamente.

Eu leio para autistas, portadores da síndrome de down e das mais diversas deficiências. Algumas eu nem saberia explicar. Quando uma dessas crianças sorri ou deixa surgir o brilho no olhar... não há nada melhor. Quando um pai ou mãe diz com espanto: “eu achava que meu filho não sentia nada, não reagia a nada e agora...”, isso explica melhor do que qualquer discurso acadêmico a importância de ler e compartilhar histórias.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Um domingo como um rio

Hoje acordei querendo um dia de paz. Tenho tanto por fazer nesse domingo, mas busco um dia que corra como um rio tranquilo e claro.
Preparo meu café e coloco o DVD Dentro do mar tem rio, de Bethânia.
No sofá, com o sol tímido invadindo a sala, me alimento de poesia, música, café e torradas.

Vou livrar a terra de tudo o que é ruim / Eu sou o cabloco daqui

Através do teu coração, passou um barco que não pára de seguir sem mim o seu caminho.

Meu coração / é uma cuia que transborda / um arco reteso / um bicho assustado de amor / um rumor de capim crescendo

A voz de Bethânia preenche meu coração e um sorriso estampa em meu rosto.
Vou passear com meu cão. Deixar ele correr e rolar na grama como gosta.
Vou estudar e produzir.
Vou colocar o correio eletrônico em dia.
Vou encontrar amigos queridos para apreciar delícias árabes.
Vou estudar e produzir mais um pouco.
Quem sabe encontro minhas irmãs no final do dia. Aquelas que tanto me ajudam a buscar a paz.
Sim, um domingo como um rio.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Hibiscos

Hoje começo a caminhar sobre o tapete de flores que vi em um sonho.
Hoje renasço.
Hoje deixo a confiança em mim pisotear o medo do fracasso.
Hoje começo a trilhar o caminho que me leva a você.
Às vezes vejo claramente o que vem a seguir. Às vezes ainda aparece em névoas. A única certeza é que é esse o caminho que mereço. É esse o caminho do meu desejo.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Uma saudade que grita. Grita fundo. Nem sei saudade de que. De você, é claro. Mas não é só.

Amanhã te encontro, um pouco da saudade passa, mas outro pouco, ou muito, continua. E continua. E continua.

domingo, 25 de abril de 2010

Eu sei que ele não vai ligar, mas continuo esperando. Toda quarta e todo sábado. E todo domingo à noite.

O toque do celular fica com o volume máximo sempre. O toque para ele é uma música diferente. Caetano Veloso. Provavelmente ele não conhece essa música. Nunca deve ter ouvido Caetano. Mas nossos quereres são diferentes e a música me lembra você. Onde queres descanso, sou desejo e onde sou só desejo, queres não.

Eu sou toda e sempre clichê. Quando você queria futuro eu queria só o presente. Quando comecei a ver o futuro, você desistiu e ficou no passado. Mas sempre fui clara e objetiva. E acreditei. Eu sempre acredito na hora errada, não é?

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Hoje eu soube tantas coisas sobre mim. Tantas confirmações. E algumas novidades também.

Ainda não sei bem o que fazer com tudo isso. Estou atordoada, confusa. Muito trabalho pela frente. Muito mesmo. Mas eu vou encarar.


Tenho que ir longe. Não sei até aonde. Não sei como nem por qual caminho. Não sei quem vai me guiar nem se devo ir sozinha.

Só sei que devo ir.

Preciso me encontrar
Candeia

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...


Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Sorrir prá não chorar
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...




segunda-feira, 22 de março de 2010

Sonho bom

Sonhei que você me esperava lá, no lugar de sempre. Copo de café na mão, sorriso lindo no rosto. Abraço bom, beijo que alegra. E acordei...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Hoje pensei tanto em você. Tanto que até me assustou. Há muito tempo eu não lembrava. E a festa ontem foi tão boa. E tinha tanta coisa para ocupar minha cabeça. Não sei mesmo por que veio você ocupar meus pensamentos. Trazer saudade.

Pode ter sido aquela música na festa. Ou aquele cara na outra festa. Aquele que era tão parecido com você. Com seu jeito, sua risada, suas brincadeiras.

Saudade do seu sorriso. Da sua mão. Da sua voz. Tudo tão distante que nem sei por onde andam.

Mas aí acabei lembrando também o outro que apareceu. Aquele que diz que eu alegro seus dias. Aquele que me pede para sorrir sempre. Aquele que me faz tantas perguntas. Mas ele não alegra meus dias, não desperta meu sorriso nem minhas perguntas.

E aí lembrei aquele outro. Aquele que despertou sorrisos e muito mais. Aquele... para quem não posso sorrir. Simplesmente por que não posso. Por que não sei fazer coisas erradas assim. E você não imagina o quanto eu gostaria de saber errar assim. Sem culpas.

Viu? No final o pensamento ficou mesmo com você.

domingo, 17 de maio de 2009

Hospedeira de mim

Dentro de mim não tem sido um bom lugar para se viver na maior parte do tempo. Tem sido escuro, tem sido frio, tem sido úmido. Muitas palavras não ditas circulam e se atropelam. Muitos sentimentos não expressados lutam para ver qual consegue sair apenas um pouquinho. Muitas lágrimas estão quase arrebentando a represa. Muita dor que já devia ter ido embora.

Mas em alguns momentos é muito bom dentro de mim. Aromas, cores e risos.

Quando estou com meus amigos, meu pequeno e fiel band of brothers, o sol nasce, a brisa fresca entra pelas janelas, o aroma e as cores das flores do campo invadem a casa.

Quando estou com as crianças que me cercam é o cheiro de brigadeiro na panela que invade uma cozinha ampla e iluminada. E se espalha por um quintal ensolarado cheio de brinquedos e risadas.

Quando estou com meu cão vem o cheiro de terra molhada, o sol reaparece gostoso e quente após a chuva e eu dou um bom banho de mangueira aqui dentro.

Quando meus olhos cruzam com os seus é a maresia que chega. Os pés molhados caminhando na areia, o cheiro do mar, o vento nos cabelos. Toca Chico Buarque dentro de mim e tudo é quente e acolhedor.

E só nesses momentos é bom viver dentro de mim.


domingo, 26 de abril de 2009

Roda Viva / Chico Buarque

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...

A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...

No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração